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domingo, 24 de maio de 2026

Quando a minha alma se ausenta para viajar

 


XIII

Quando a minha alma se ausenta para viajar

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Há momentos em que nada sinto a doer

nenhuma espécie de dor

nem frio nem calor

nenhum desejo

nenhum motivo de prazer

nenhuma angústia

nenhuma ansiedade

nem antevejo nenhuma contrariedade

 

Momentos em que a minha proverbial amargura

anda fora

pela rua

e eu desisto de encontrar a verdade

 

Momentos em que a minha indiferença é tamanha

que me chega a parecer estranha

 

Que será que aconteceu?

Que estará para acontecer?

Não sei nem quero saber

 

A envelhecer ando desde que nasci

morrer ainda não morri

e a vida até me sorri

 

Talvez seja isso mesmo

      isso tudo

nada de isso

ou não seja coisa nenhuma

 

Talvez seja só espuma de poesia

nem tristeza nem alegria

pura fantasia

sem os habituais dilemas

 

Talvez seja só a minha alma

que se ausenta para viajar

mas deixa a consciência em “stand by”

 

E como nada entra ou sai

do coração

a razão põe-se a regurgitar poemas

 

Henrique António Pedro

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