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terça-feira, 25 de julho de 2017

Lamúrias de amor da sibila Dores Roha



Apenas tu ser amado
não duvido
tens a ver com a felicidade
que vivo a teu lado

Se me assalta a angústia da separação
qual vento desalmado
te digo do fundo do coração
o sofrimento que adviria
nada teria a ver contigo

Porque ninguém ama por obrigação
ou continua a amar
por gratidão

Depende de mim continuar a apertar as tuas mãos
e de ti continuar a beijar
com teus lábios os meus
mas é no amar e desamar
que mais dependemos de Deus

Não deixaria de te amar
nem que te afastasses de mim
ainda que o amor fosse então
uma saudade sem fim

 in Códice da Pátria Luanca (Ver o Verso Edições, 2006)



sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lugares recônditos da minha alma  



Há lugares

recônditos

na minha alma

aonde

eu próprio

raras vezes vou

 

Somente quando sou assediado

por algum evento inusitado

 

São aposentos reservados

onde não sopram ventos

nem se faz sentir a fúria do mar

ou as tempestades do viver comum

 

Ali me refugio

me protejo

e me liberto

em ambiente de espiritualidade

 

Tranco portas e janelas

tapo os ouvidos aos ruídos da rua

apenas deixo acesa uma luz

tão suave como a da Lua

e por ali fico na obscuridade

de alma distendida

até me acalmar

 

São lugares recônditos da minha alma

túneis

labirintos

horizontes de espiritualidade

 

Aonde entro

e de onde saio

sem sair de mim

num incorpóreo frenesim

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

Henrique António Pedro


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Portugal morreu? A minha Pátria, essa, não!


 

 

Portugal morreu?

ainda não!

Jaz moribundo às mãos da corrupção

e das teias de traição que o inimigo teceu

 

Portugal morreu?

A minha Pátria, essa não!

 

A minha Pátria é o meu Povo

é a Língua que fala

a História que conta

é Verdade, é Democracia

é poesia do tamanho do mundo

do Quinto Império nostalgia

futuro que o povo reclama

 

A minha Pátria é Camões, é Gama, Vieira e Pessoa

Albuquerque, Silveira, Santo António de Lisboa

é Aleixo Corte-real, o notório Honório Barreto

é Portugal etéreo, amarelo, branco e preto

 

A minha Pátria é fogo, é chama, é fumo

é uma Nação enganada

à procura dum novo rumo

 

A minha Pátria é o meu Trás-os-Montes natal

suas lágrimas e suas fontes

meu Santo Graal

 

Portugal morreu?

A minha Pátria, essa, não!

 

A minha Pátria é Portugal!

  

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Henrique António Pedro




quarta-feira, 21 de junho de 2017

Ser livre é viver feliz







Eu próprio
em liberdade
me sinto numa prisão
infeliz

Numa gaiola maior
do tamanho da Terra
com grades de angústia

Por isso lhe daria a liberdade
se tivesse a garantia
de que livre
sobreviria

Porquê condená-la à morte
prematura
se a sei feliz a chilrear
enquanto viver
nesta postura?

Acabará por morrer

Pois então que morra
mas que morra livre
e verdadeira

Que aprenda que ser livre
é viver feliz
mesmo prisioneira



terça-feira, 13 de junho de 2017

Os poetas são como os pássaros



Os poetas são como os pássaros

passam os dias a cantar

do nascer ao sol pôr

à espera da Primavera

para mais cantar

e amar melhor

 

A Primavera dos poetas

é como o vento, porém

não tem hora de chegar

e quando chega

se chega

ninguém sabe quanto tempo

irá ela demorar

 

Os poetas são como os pássaros

passam os dias a cantar

em vão a procurar

seu coração alegrar

que anda triste

por não saber

voar

mas não desiste

 

As penas dos poetas não são penas de voar

são poemas

são dilemas

penas pesadas por certo

de coração aberto

por tanto se angustiar

 

São plumas de amor coloridas

a principal cor

da paleta do poeta

 

São alegrias fugidias

são versos

são reversos

são poesias

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 3 de Março de 2009

Henrique António Pedro

 

 

domingo, 4 de junho de 2017

Poema escrito com a tinta do meu coração




Escrevi umas tantas palavras
com a tinta do meu coração

Que verti em taça de cristal
à hora do meio-dia
quando o Sol está mais vertical
tal a paixão que em mim ardia

Enchi, depois, esse vaso cristalino
com luar
tal era o meu desejo de a amar

Ela pensou que era apenas perfume
que eu lhe oferecia

Aspirou-lhe, de pronto, o aroma
e tomou-lhe o sabor
sem se aperceber
que era um filtro de amor
que a incendiava com o lume divino da paixão
sem outro remédio nem contrição

Verti
por fim
tais palavras de poesia
com alegria
no rio do nosso destino

Assim a seduzi
a ela
e me redimi
a mim