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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Fogo, fumo, cinza

 


LX

Fogo, fumo, cinza

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

A existência é tão fugaz

como tudo que arde

a si próprio se consome

extingue

e se desfaz em cinza

 

Ou o fumo que se evola no ar

a água que ferve e se converte em vapor

o suor ou o bafo

que se desvanecem no espaço

 

Assim são as marcas que deixamos neste mundo

 

Indelével é só

o que de nós

em nós

a vida desperta

 

Pára, escuta, olha

sente bater o coração

agora

meu irmão

 

 

As pirâmides de Gizé são meras bolhas de espuma

se comparadas com os penedos paleozóicos de onde foram extraídas

e estes não passam de insignificantes grãos de poeira cósmica

 

O único sentido da Vida

dorida

é despertar-nos a nós

em nós

 

Como se o Criador

depois de usar o escopro da Criação

estivesse tão só

com Seu sopro

a limpar o pó

da obra esculpida

Henrique António Pedro

Além, naquele astro ali

 


LIX

Além, naquele astro ali

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Ali

naquele astro além

que não é estrela

nem planeta

nem cometa

e já foi o coração

de minha mãe

 

Além

na imensidão

naquele astro ali

tão longe de tão perto

onde nada é errado

nem tudo é certo

 

É lá que eu moro

e me demoro

por via da poesia

sem que diga adeus

nem diga nada

a ninguém

 

É ali que eu ando

amando

e sofrendo

a mando

de Deus

e de nada me arrependo

 

Henrique António Pedro

domingo, 21 de junho de 2026

A minha alma é maior que o mundo

 


LVIII

A minha alma é maior que o mundo

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

A minha alma

é o mundo em que todas as coisas existem

acontecem

persistem

e desaparecem

e o amor

e a dor

coexistem

 

É o espaço em que giram todas as galáxias

e universos conhecidos

e os que estão ainda por descobrir

em que as estrelas brilham

os ventos sopram

e as palavras

se concertam em versos

e os versos em poemas

 

É o mundo em que batem corações

e se levantam questões

e dilemas

 

Sobretudo aqueles que ninguém entende

ou não têm resposta

nem na minha alma

nem fora de mim

 

A minha alma é caos

e cosmos

o hiperespaço em que eu aconteço

não sei o que penso

o que digo

o que faço

caminho pé ante pé

me mereço

 

A minha alma é o templo

sem tempo

onde se acende

a chama

da fé

e Deus

se transcende

 

Henrique António Pedro

sábado, 20 de junho de 2026

A irrelevância de Deus

 


LVII

A irrelevância de Deus

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

 

Existir ou não existir

Deus

ser ou não ser

sob que condição for

não é a questão maior

 

No meu humilde entender

é irrelevante

até

 

Porque Deus pode dar-Se ao luxo

de nem ser

sequer

 

Tanto que deixa ao livre-arbítrio

de cada um

Nele acreditar

ou não

 

Não deixa porém

de nos apontar o caminho

para que sejamos nós a reconstruir

o nosso próprio destino

 

Dá-nos a matéria para tanto

que é o Amor

 

O método

que é o Bem

 

E o cadinho também

que é a Dor

 

Este é

o tripé

de toda a Fé

 

 

Henrique António Pedro

O espelho do espírito

 


LVI

O espelho do espírito

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Percorro montes e vales

campos e cidades

à procura de um espelho

em que me possa ver

 

Encontro lagos

maciços gelados

edifícios espelhados

vidros de cristal

 

Apenas vejo imagens

miragens de mim

mil meias-verdades

sombras do meu ser

 

Só posso ver o meu rosto

num espelho que o reflicta

à luz do dia

que o escuro repele

 

Só poderei ver o meu espírito

no espelho de Deus que o revele

à luz do amor que o concita

Henrique António Pedro

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A ser assim, o Além…

 


LV

A ser assim, o Além…

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)


A ser assim

o Além

será uma espécie de sonho do sono

pesadelo ou felicidade

sem possibilidade de se acordar

e de retornar à realidade

 

É um viver etéreo

sem nascer ou morrer

um ver sem olhos

um ouvir sem ouvidos

um prazer sem sentidos

um voar sem asas

um permanente flutuar

uma vida descolorida

sem boa ou má sorte

um gozar sem prazer

um sofrer sem doer

um ermo sem guarida

um eterno refrigério

 

A ser assim

o Além

é uma espécie de sonho sem realidade

um mundo sem rumo

sem fio de prumo

nem norte

 

E a ser assim

sonhar

quando o corpo adormece

e o espírito permanece

sem suporte

é ensaiar a morte

 

Henrique António Pedro