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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

De gritos e de apitos


A gota da clepsidra
de areia ou de água
regula a vida
com alegria ou mágoa

O som do diapasão
afina o tom
do violão

O sinal do sino tem o dom
de convidar à oração

Já o longo ecoar do gongo
mais parece um lamento
a ecoar no tempo

 

A toque de caixa

todo o soldado se rebaixa

 

Só o som da vuvuzela
iguala o gazear da gazela

O rugido de leão
na savana
a ninguém engana

O barrido do elefante
que raspa o chão
tonitruante
deixa zunido enorme
no ouvido

mas não faz esquecer
o gemido de fome
seja de amor
ou de pão

 

Som que toa à toa

só mesmo o do coração

desafinado de paixão

 

Só o silêncio da morte

de todos o som mais forte

causa dor
e ecoa na Razão

 

A quem tem o dom

do grito, do apito e do assobio

ninguém tira o pio

 

Vale de Salgueiro, domingo, 20 de Junho de 2010

Henrique António Pedro

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