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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Labaredas de amor, poesia e saudade


Já as primeiras rugas e cabelos brancos

se desprendem como pétalas de poesia

expondo as minhas razões livremente

à Razão, ao Sol e à chuva

e me induzem na Alma uma nova alegria

 

Por isso me apraz caminhar alvorada adentro

como quando criança o fazia campos fora

rumo ao Sol

nas manhãs suaves e luminosas de Estio

na ilusória esperança de surpreender o Astro Rei

lá no sítio em que se acoita por detrás do horizonte

 

Mas era sempre o Sol que me surpreendia a mim

invariavelmente

iluminando sorridente todo o vale que se distendia

para lá da derradeira colina que me era dado alcançar

 

Extasiado deixava-me ficar por lá

indiferente

sem pressa nem angústias de espera

ausente da Terra

bem no centro do Universo

que

porque é infinito

tem por Centro qualquer sítio

 

O mesmo Sol me trazia de volta aonde adormecia

sem me dizer onde pernoitava ele por detrás do horizonte

talvez porque ainda eu o não merecia

dado que apagava a luz mesmo antes de eu lá chegar

 

Agora já Deus Nosso Senhor me dá o privilégio

de se sentar à minha mesa

para comigo comer o caldo quente ao fogo da lareira

esse pedaço de Sol que aprisionei com religiosidade

feito de labaredas de amor, poesia e saudade

para converter as derradeiras quimeras do frio Inverno

nas alegrias e glórias de novas e calorosas Primaveras

 

Vale de Salgueiro, 6 de Janeiro de 2008

Henrique António Pedro

 

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