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sábado, 29 de agosto de 2026

Monólogo luxurioso


Vem amada minha

Encosta a tua cabeça no meu peito

Deixa que o teu coração se abra

Ao concerto

Deste conceito

 

A libido

Lê-se no dicionário

É um fadário

 

É o desejo

A procura instintiva do prazer

A tentação de ter

A punção do sexo

Sem regra nem nexo

 

O amor

É o natural corolário

Da saudade de Deus

O desígnio

Que nos orienta na procura do divino

E a sua lógica é o Bem

 

O desígnio da libido é o gozo

Sem outro mal

Insere-nos no reino animal

E motiva-nos para a luta

Para a sobrevivência da espécie

 

Mais nos inebria o amor

Iluminado de verdade

Que a cega paixão

Acicatada pelo limão da opressão

 

Mais me encanta a luz dos teus olhos

Faiscantes de afecto

Que a sua cor verde-esmeralda

A queimar-me com o lume do ciúme

Ou a tentação do teu ventre aberto

 

Também quero provocar em ti o ciúme e o cio

Garantir contigo a sobrevivência da raça

Mas também quero que navegues comigo

Na graça da espiritualidade

À procura de Deus

 

Vê como os nossos beijos ganham outro fogo

Os nossos corações outro fôlego

A nossa paixão mais se inflama

E nos nossos espíritos

Se acende outra chama

 


Vale de Salgueiro, 29 de Novembro de 2007

Henrique António Pedro

 

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