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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sonhos suspensos

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Folhas dependuradas nos ramos das árvores

que se libertam pelo Outono

se a brisa

ou o vento

chegam a tempo

de os empurrar para longe dali

levando-os a perderem-se na estratosfera

fugindo a ser húmus

 

Sonhos do espírito

a que o corpo não responde

em seu sono

 

Pesadelos de acordar

na cama da amante que nos abraça

com as pernas e as coxas

pelos quadris

mas nada nos diz

 

Sonhos que sonhamos

mas nada acontece

e que melhor será

nem sonhar

 

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Só ama quem tem a alma acesa de amor

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Um penedo

surdo e mudo

que seja

perdido no seio da floresta

ou no descampado do monte

é amado pelo poeta

que ali sentado

se perde no horizonte

 

Votado a amar os seres

e as coisas

a quem ilumina

com a luz da poesia

e lhe recolhe o reflexo

 

Mas só ama

quem tem a alma acesa

de amor

capaz de lhe iluminar

o coração

 

Como o Sol

que durante a noite alumia

a Lua

cuja luz reflecte

em luar

 

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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma secreta fantasia

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Se fosse apenas eu a ler

a poesia que escrevo

ela não passaria de uma secreta fantasia

de uma mania como outra qualquer

 

Ainda que sempre valha a pena escrever

mesmo quando nem eu próprio compreendo

aquilo que escrevo

e não saiba bem o que quero dizer

 

Mas eu quero que a minha poesia

viva e tenha mais alegria

e que quem a lê-la se abrir

me ajude a descobrir

aquilo que eu quero dizer

 

Só por isso sempre a dou a ler

 

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domingo, 28 de outubro de 2012

Breves reflexões sobre a vida

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A vida é tudo o que somos

e o que não somos

 

O que temos

e o que não temos

 

O que amamos

e o que sofremos

 

O que nos afecta

e o que nos desperta

 

O que nos faz viver

e o que nos leva a morrer

 

É o adeus ao passado

a despedida do presente

a chegada do futuro

 

É cosmos que se revela

a divindade que se esconde

o mal e é o bem

 

É a incerteza do viver

a certeza de morrer

a dúvida do Além

 

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domingo, 21 de outubro de 2012

SÓ A TUA PRESENÇA FARÁ QUE EU DE TI ME ESQUEÇA


Agora que partiste

e me deixaste afogado em saudade

 

Agora que não te tenho de verdade

ao pé de mim

tudo me fala de ti

e não deixa que eu te esqueça

 

Cada flor que sorri

cada ave que chilreia

cada criança que ri

as águas do rio que se precipitam fragorosas no açude

o sol que incendeia

a lua que se desnuda

e julga que com o luar me ilude

 

Tudo martela o teu nome nos meus ouvidos

aviva a sua lembrança na minha mente

e rasga o afecto que te vota o meu coração demente

e que reparte por todos os sentidos

 

Se a fome me desperta

se o cansaço me toma

se me assalta o desejo

é em ti que penso

 

Como poderei esquecer-te se tudo em meu redor

dentro de mim grita por ti?

 

Acaso posso abafar o vento

silenciar as aves

calar as crianças

apagar as estrelas

secar as flores

matar a saudade que me consome por dentro?

 

Volta!

regressa

se pretendes que eu de ti me esqueça

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Henrique António Pedro

 

Leia mais no link seguinte:

 

https://henriquepedro.blogspot.com/2024/07/so-tua-presenca-fara-eu-que-te-esqueca.html

 

sábado, 13 de outubro de 2012

ROSAS DE TODO ANO







A quinze de Outubro

dia do teu aniversário

caminharemos mais uma vez de mãos dadas

gozando os derradeiros raios de sol do dia

que inunda todo o espaço com poesia

neste mês de Brumário

 

Rosas remanescente das roseiras raras

que trataste com enlevo na Primavera

continuam a “rosir” iluminando de cor os canteiros

como se fossem sorrisos permanentes

 

A lembrar-nos que a vida será um amor eterno

se assim quisermos

mesmo que saibamos que já não somos adolescentes

e que caminhamos para o Inverno

 

Quando já as romãs sorriem de contentamento

desafiando os ouriços nos castanheiros

e só os pinheiros e as oliveiras continuam folheadas

porque o seu verde é perene

 

Todas as demais árvores

já se despedem das folhas amarelecidas

sem lamento

entristecidas de tristeza estreme

porque em breve serão despidas pelo vento

 

Como os diospireiros surreais já completamente desnudados

feericamente emoldurados de vistosos dióspiros

encarnados

carnais

condenados a apodrecer dilacerados pelos pardais

como se fossem inconsequentes suspiros

dependurados ao tempo

teimando em não morrer

 

Eu quero que estes efémeros momentos

de amor aberto e suave alegria

fiquem melhor registados que numa fotografia

ou numa câmara de cinema

 

Prefiro gravá-los em poema

porque o dom da benquista poesia

para lá da imagem e do som

melhor regista

 eternos afectos e sentimentos

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Henrique António Pedro