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domingo, 23 de julho de 2023

As flores do meu coração

 


As flores do meu coração

 

Perfumadas ou não, pelas rosas tenho paixão

Mesmo se os seus espinhos me arranham a pele

Quando a tentação de cortá-las me impele

Mas elas acabam por lancetar meu coração

 

Também aprecio o cravo, a flor da Nação

Em Abril glorificado pelo povo alegre.

A tília é um amor pelo odor que expele

À mística açucena voto adoração

 

Laranjeira, amendoeira e a cerejeira

São árvores de fruto com flores de encantar

Artifícios da Mãe Natureza feiticeira

 

Especial afecto sinto pela sardinheira

Verde e rubra, aveludada e popular

Cheira a sardinha a flor do povo padroeira!

 

Vale de Salgueiro, 26 de Abril de 2008

Henrique António Pedro

 

sábado, 22 de julho de 2023

Uma mulher por Estação, porque não?!

 

 




Uma mulher por Estação, porque não?!

 

Tão pródiga é a nossa Mãe Natureza

Que em cada época a todos avia

Com flores e frutos da maior beleza

Que enchem as nossas vidas com alegria

 

Mas se houvesse uma maior justeza

O homem viveria com mais harmonia

Se tivesse essas benesses, com certeza

E amor mais ajustado por companhia

 

Uma mulher por cada Estação, porque não?!

De corpo e alma adaptada ao clima

Sendo leve, fresca, airosa no Verão

 

Com a Primavera, a romântica rima

No Outono mais convém dar paz à paixão

Já no Inverno, a fogosa, mais anima

  

Vale de Salgueiro, sábado, 10 de Agosto de 2008

Henrique António Pedro

 


quarta-feira, 19 de julho de 2023

Vã glória e vil fama

 

 


Vã glória e vil fama

 

 Deslumbrante é a vã e vil fama

 A glória insana deste mundo

 A ilusão que a muitos engana

 A riqueza e o poder imundo

 

 E deslumbrado é quem se ufana

 Do seu poder cruel e furibundo

 Estulto algoz da raça humana

 Que explora o povo sitibundo

 

 E aloucado aquele que pensa

 Em dominar, um dia, toda a Terra

 Pela mentira e pela ofensa

 

 Só o Amor de verdade compensa

 Todo o encanto em si encerra

 E a sua força, sim, é imensa

 

 Vale de Salgueiro, 26 de Abril de 2008

 Henrique  António Pedro

 

sábado, 8 de julho de 2023

Ser-se poeta é um ser-se para o amor

 



 

Ser-se poeta é um ser-se para o amor

 

Ser-se poeta…

é ser-se anormal

ser-se amoral

não conhecer nem o bem

nem o mal

 

Ser-se poeta…

é ser-se inocente

ser diferente de toda a gente

não se ter maldade

 

Ser-se poeta…

é procurar a verdade

sem obedecer a nenhum poder

é sentir a dor dos outros

e com os outros sofrer

 

Ser-se poeta…

é sentir prazer

sem praticar imoralidade

 

Ser-se poeta

é um ser-se para o amor

 

Ser-se poeta…

É aspirar à imortalidade

 

Vale de Salgueiro, domingo, 27 de Junho de 2010

Henrique António Pedro


domingo, 25 de junho de 2023

Porque nos aprisionou na Terra, o Criador?

 


Porque nos aprisionou na Terra

o Criador

nesta gaiola azulada

dependurada no Sol

e que balança ao sabor dos ventos cósmicos?

 

E porque nos alimenta Ele

com amor, dor, angústia e sonho

envoltos pela diáfana redoma atmosférica

que apenas os raios de luz

e a imaginação

transpõem

 

E porque nos projectamos nós

no Espaço incomensurável

rasgamos a Razão

e soltamos aflitos gritos de espírito

por não O podermos ver?

 

Talvez nos queira Ele ouvir cantar

e louvar

só pode ser

 

E que sejamos nós a nos libertar

e a aprender

a voar

até Ele!


Vale de Salgueiro, Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Henrique António Pedro



quarta-feira, 21 de junho de 2023

A SEREIA DO AÇUDE DE MIRADEZES


 

A SEREIA DO AÇUDE DE MIRADEZES

(Sereia de água doce) 


Sento-me

Numa pedra

No idílico açude de Miradezes

Onde por vezes

Me refresco e reflicto

 

Eis que num gesto inusitado

Se vem sentar a meu lado

Uma jovem sereia

Despida

De biquíni amarelo ajustado

Ao corpo mais belo

Que alguma vez já vi

 

E me sorri

Sedutora

Escultural

Monumental tentação

Enquanto com o dedo polegar do pé

Acaricia as águas mansas

Do meu rio Rabaçal

Que corre manso

No pino do Verão

 

À falta de melhor ideia

Falo-lhe de poesia

Com alegria

 

Qual não é o meu espanto

Porém

E sem que lhe haja dado motivo para tanto

Começa a brincar comigo

Amorosa

E maliciosa

Também

 

Provoca-me

Com desenvoltura

Agrarra-me na mão

Sinto-me perdido

De desejo

Seguro a dela

Num ápice dá-me um beijo

Na face

E zás…

Lança-se à água decidida

Arrastando-me com ela

Para uma líquida aventura

 

Mergulho de cabeça

Surpreendido

Perco-a

Recupero o sentido

Abraço-a

Escapa-se

Volto a segurá-la

Já não me escapa

Tento beijá-la

Aconteça o que aconteça

Diz-me que não

E rende-se

Para vencida

Me pedir perdão

 

Deu apenas para ficar a saber

Sem fantasia

Que o corpo das sereias de água doce é escorregadio

Causa arrepio

E que a poesia

Por vezes

É afrodisíaca

 

Numa praia fluvial paradisíaca

Como a do açude de Miradezes

in Mulheres de Amor Inventadas (1.ª Edição, Outubro de 2013)

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Henrique António Pedro