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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Talvez…


Talvez minha mãe

quando eu ainda era menino

me tenha estreitado com ternura demais, em seu seio

de coração apertado pelo maternal receio

e bafejado com o seu virginal afecto

e carinho

 

Talvez…

 

Talvez meu pai

tenha levado longe demais, em mim

o ideal da verdade

liberdade

aventura

e altivez

 

Talvez…

 

Talvez o meu povo, simples e probo

me tenha marcado de forma especial

com a sua generosidade ancestral

a sua simplicidade

rusticidade

e honradez

 

Talvez…

 

Talvez a minha amada Terra Quente Transmontana

me tenha moldado em seu ventre

com o calor do Verão destemperado

o frio do Inverno desmedido

e o seu raro Firmamento de religiosidade iluminado

eterna promessa de Parúsia, hossana!

que em cada Primavera se espera

 

Talvez…

 

Talvez Cristo Jesus e a sua Cruz

tenham tocado demasiado fundo o meu coração

e transformado para sempre a minha vida

numa permanente oração

 

Talvez…

 

Talvez a minha Pátria, Portugal

me tenha desiludido

e traído o Império Místico da Irmandade Universal

a razão de ser português

 

Talvez…

 

Talvez por tudo isso eu me sinta agora e aqui

deprimido

angustiado

de coração agitado

confrontado comigo

com os meus

com Deus

os céus

as misérias do mundo imundo

e o fracasso da Civilização

 

Talvez…

 

 

Vale de Salgueiro, domingo, 27 de Julho de 2008

Henrique António Pedro

 

 

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