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domingo, 6 de setembro de 2026

Parti, de mansinho, para não a acordar


Parti

de mansinho

para não a acordar

porque percebi que sonhava comigo

 

Sorri

aconcheguei-lhe a roupa

beijei-a na testa

e escrevi este poema balsâmico

na sua agenda aberta

sobre a mesinha de cabeceira

mesmo à beira do despertador

 

Para que quando o alarme tocar

e a fizer acordar

sinta o meu amor

e não entre em pânico

por não me encontrar deitado a seu lado

 

Também

para lhe dizer

que por nenhuma razão

a quero perder

e que estará sempre presente no meu coração

 

E que enquanto eu estiver ausente

por obrigação

andarei sempre a penar de paixão

deserto de desejos dela

do seu carinho

e dos seus beijos

 

Por isso parti

assim devagarinho

sem a acordar

porque percebi

que sonhava comigo

 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 27 de Setembro de 2008

Henrique António Pedro

 

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