domingo, 2 de dezembro de 2018
Em Dezembro
Em Dezembro o
Inverno é um inferno
frio e cinzento
contratempo
A alegria é
triste
e o silêncio é
denso
pesado
compassado
As noites são
longas
e os dias
longos
crepúsculos
opúsculos de
impaciência
É tempo de
reflexão
hora de resistir
à impaciência
de despir por
dentro
e vestir por fora
como se nos
estivéssemos a despedir
sem saber para
onde ir
Em Dezembro
as abelhas dormem
nas colmeias
em suas celas de
cera e mel
à espera da
Primavera
Já as primeiras
flores de laranjeira
nascidas a
destempo
foram
sacrificadas o vento gélido
e à geada
do Inverno cruel
Como o primeiro
amor
que ainda em flor
foi tolhido pela
intempérie
e atirado ao
vento
num insano gesto
impensado
pensamento
Em Dezembro
o vento é um
longo lamento
Vale de
Salgueiro, sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Henrique Pedro
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Fósforo
Cada poema que escrevo
é um fósforo que risco
na noite dos dias
sem luz
Ouço-lhe o ruído breve
característico da ignição
tento por proteger a chama
pequenina
com a concha da mão
o tempo suficiente para acender um círio
de amor sem martírio
num outro coração
Sonhando que arde
aquece
ilumina
anima
e já ninguém mais esquece
porque se ateia
se ata
a outra e outra candeia
em cadeia
É a fogueira da poesia
a chama da ideia
a iluminar a Terra inteira
Mas oh, Deus!
Quantas vezes cada poema que escrevo
é como se fora um fósforo que risco
para acender um cigarro
a que me amarro
para deixar arder
para esquecer
E que arde
sem se ver
Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Henrique Pedro
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
50 Sonetos de Amor (XLVII Chegar, amar e partir)
XLVII
Chegar, amar e partir
Ela chegou
sôfrega como ele imaginou!
Mas deram um só
abraço, bem apertado, ardente…
Sentiam a
sofreguidão do desejo pela frente
Assim, ele, como
ela, paciente, esperou.
Aquela era, sim,
a mulher com quem sempre sonhou
Não haveria razão
para estar impaciente
Apenas deles
dependia esse amor candente
Ela acreditava,
também ele acreditou
E quando entendeu
Deus, levá-la, contrariada
Ainda assim,
resignada, a Deus ela sorriu
Mas partiu,
triste, para sempre a ele abraçada
Mas se ao desejo
da chegada dela resistiu
À trágica
despedida da vida, inesperada
Agora, triste,
para sempre só, ele sucumbiu
Vale de
Salgueiro, sábado, 19 de Julho de 2008
Henrique Pedro
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
50 Sonetos de Amor (XXXVIII Teme viver quem morrer teme)
Teme
viver quem morrer teme
Esse
estranho medo de morrer
Advém
de se saber um ser mortal.
Assim,
teme morrer sem o querer
Quem
bem se sente vivo, afinal
Já
o anormal medo de viver
Advirá
de se saber imortal
Mas
temer sofrer, depois de morrer
Ainda
mais e de maior mal
Se eu
temo viver e morrer eu temo
Entrego-me,
então, na mão do demo
Duvidando
da imortalidade
Bem
melhor será amar de verdade
Acreditar,
sim, na Felicidade
Fazer
fé no Amor do Pai Supremo
Vale
de Salgueiro, sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Henrique
António Pedro
domingo, 28 de outubro de 2018
50 Sonetos de Amor (XXXIV As flores do meu coração)
XXXIV
As flores do meu coração
Perfumadas
ou não, pelas rosas tenho paixão
Mesmo
se os seus espinhos me arranham a pele
Quando
a tentação de cortá-las me impele
Mas
elas acabam por lancetar meu coração
Também
aprecio o cravo, a flor da Nação
Em
Abril glorificado pelo povo alegre.
A
tília é um amor pelo odor que expele
À
mística açucena voto adoração
Laranjeira,
amendoeira e a cerejeira
São
árvores de fruto com flores de encantar
Artifícios
da Mãe Natureza feiticeira
Especial
afecto sinto pela sardinheira
Verde
e rubra, aveludada e popular
Cheira
a sardinha a flor do povo padroeira!
Vale
de Salgueiro, 26 de Abril de 2008
Henrique
Pedro
domingo, 21 de outubro de 2018
50 Sonetos de Amor (XXX Terra Mater)
XXX
Terra Mater
Enlevam-se o meu
olhar e o meu coração
Perante este mar
de oliveiras prateadas
Meu bendito berço
de mil colinas encantadas
Toma-se o meu ser
da mais sentida comoção.
Bandos de aves
livres voam em livre formação
Pela branda brisa
do cair da tarde embaladas
São pela santa
Mãe Natureza abençoadas
Dão asas e graça
à sua natural paixão
Terra sem igual
sagrada pela oliveira
É aspergida por
espiritual quietude
É ganha-pão de
gente simples, pura e ordeira
Que nos úberes
vales de rio e de ribeira
Com amor cultiva
essa agrária virtude
Queira Deus haja
paz igual na Terra inteira
Vale de
Salgueiro, 19 de Abril de 2008
Henrique Pedro
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