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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Já não há mal nem bem na Terra


Virou uma coutada

A Terra

Em que os donos do mundo

Se divertem a caçar

E a fazer guerra

 

E o homem um animal

Amoral

Que habita o planeta

Que ninguém se intrometa

 

Acabou-se o mal

Prolifera a maldade

O bem é pura inutilidade

 

O motor da civilização é a corrupção

 

A maior indústria é o vício

A vida não tem valor

A morte não passa de um pormenor

 

Guerra ou paz tanto faz

Preciso é ganhar

E vender

 

O amor é o que for

E o que está a dar

 

Mentir é utilidade

A verdade é relativa

Depende de quem a inspira

 

O insulto é gratuito

Não tem preço

É arma de arremesso

 

Só morre à fome quem não come

Ou não tem forças para se revoltar

 

A Terra esventrada já está a arder

Não tarda a estourar

 

Já não há mal

Nem bem

Na Terra

Apenas maldição

 

 

Não, não, meu Jesus Cristo!

Não deixes que Te sacrifiquem outra vez

Na cruz

 

Pedi ao Pai

Que acabe com isto

De vez

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Henrique António Pedro

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