domingo, 16 de fevereiro de 2014
Palavras danadas de nadas
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Cigana parida na palha espalhada no chão do curral
In Minha Pátria Montanha (Ver o Verso Edições – Dezembro 2005).
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
“AMO-TE”
Há mil formas de
declarar o nosso amor a alguém
sem dizer “amo-te”
ou fazer uso de
qualquer outros modos e tempos do verbo amar
Poderemos mesmo
dizê-lo sem proferir a palavra “amor”
e ao arrepio das
regras gramaticais
ainda mais
e melhor
Se assim não for
como poderão os
surdos-mudos
dizer “amo-te”
às suas apaixonadas?
Ou os amantes de
língua chinesa
declarar o seu amor
às suas namoradas de
outras línguas
que não entendam o
mandarim
nem conheçam um só
carácter chinês?
Há mesmo
muitas outras formas
de dizer “amo-te”
sem ter que escrever
abraçar
ou beijar
Poderemos dizê-lo com
o olhar
oferecendo uma flor
dedicando um poema
ou simplesmente
ficando em silêncio ao lado de quem
a quem
queremos dizer
“amo-te”
De resto a palavra
“amo-te”
já está tão gasta
pelo uso
que perdeu a
originalidade
quiçá
a autenticidade
Poderá ser até um
abuso
aleivosia
despudor
Há
como vês
muitas outras formas
de dizer “amo-te”
sem do verbo amar fazer
uso
Como continuar a
escrever poesia
Apenas por amor
Vale de Salgueiro,
domingo, 7 de Março de 2010
Henrique António Pedro
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Porque não trocar de mulher?
(Epigrama)
A um
amigo do peito
com
faceta de poeta
e o
seu quê de machista
que a
legítima benquista se diverte a judiar
pergunto
eu a preceito
e na
hora certa:
«- Porque
não trocas de mulher?!
Tens
muito por onde escolher
e
uma poetisa de génio vinha-te mesmo a calhar»
Responde-me
ele de pronto
nada
tonto
e sem
se desmanchar:
«-
Porque não encontro outra igual
e
mal por mal
melhor
será com esta ficar.»
«Depois
já não tenho paciência
nem idade
para
outra mulher ensinar
e esta
já domina a ciência de bem me aturar»
«E,
para quê mentir?
Desta
iria sentir uma infinita saudade»
Vale
de Salgueiro, quarta-feira, 28 de Julho de 2010
Henrique
António Pedro
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Poeta aprendiz de como ser feliz
Sopro a sopro sopra o vento
chama a chama arde a fogueira
raio a raio estala o trovão
Monte a monte se ergue a montanha
grito a grito se espalha a revolução
sorriso a sorriso se acende a paixão
Grão a grão se semeia a seara
a galinha enche o papo
sara a ferida o esparadrapo
Dia a dia se ganha a vida
se esconjura a má sorte
e se adia a morte
Verso a verso se escreve o poema
nota a nota se compõe a canção
dúvida a dúvida se lança o dilema
O fogo como se apaga?
Como se amaina o trovão?
E como se ceifa a seara?
A verdade como se alcança?
Como se ganha a revolução?
E como se acalma a paixão?
O poema como se declama?
E a morte como se mata?
Como se vai ao além?
Tudo isto e mais a amar
ando eu a aprender
também
Poeta
mero aprendiz
de como ser feliz
Alguém me diz?
Vale de Salgueiro, terça-feira,
16 de Março de 2010
Henrique António Pedro
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Se acaso me ler
Se acaso me ler
tente me entender
Vivo num mundo de sonho
onde não há gestos
nem palavras
escritas ou faladas
para comunicar
Falo com o coração
por ideias
trago na mão uma lira
que ora canta
ora suspira
Sem espaço para mentira
ou traição
nem ódio para expressar
vivo em permanente
alegria
a meu contento
A minha poesia é fantasia
afecto
pensamento
Sou poeta
homem liberto
Vale de Salgueiro, domingo,
9 de Agosto de 2009
Henrique António Pedro





