domingo, 17 de dezembro de 2017
Presépio…
Projecto
épico do Menino Jesus
nascido
de Deus envolto em luz
no
ventre da Virgem Mãe
advento
de um novo tempo
marco
indelével da História
Chama de
amor e de paz
brilha na
escuridão da guerra
que
oprime toda a Terra
e traz a
Humanidade refém
no engano
da fugaz fama
É Cristo
que para nossa salvação
triunfa
em cada Natal
sobre a
dor e o sobre mal
e nos
redime em cada ano
rumo à
celestial vitória
Henrique Pedro
B O A S F E S T A S
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Nem sei se ainda por cá ando ou se já me fui embora
Esta melencolia
que me assola
em dias
de chuva aborridos
ou quando
o sol poente
me
deixa lânguido da saudade
de quem
anda ausente
estando
embora presente
é uma
tristeza deliquescente
mais
própria dos vencidos
Abandono-me
à nostalgia emergente
e paro
de me angustiar
viro as
costas às perguntas do costume
que sei
de
antemão
não
terem respostas
É
quando uma morrinha miudinha
me toma
os sentidos
a ponto
de não me sentir nada
nem
ninguém
nem magma
nem matéria
em nada
materializado
em
nenhum estado de espírito realizado
ocaso
ou aurora
Fico
sem saber se ainda por cá ando
ou se já
me fui embora
se a
poesia é coisa séria
ou não
passa de uma pilhéria
Até que
o ensejo de um bocejo
me faz
despertar dessa sonolência demente
e
retomar a vida corrente
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
O amor em redondilha maior e em decassílabo
(Heptassílabo
ou redondilha maior)
É-nos
dado, sim, saber
E sentir
que o amor
É o
oposto da dor
Vital no
nosso viver
Seria
bom, não sofrer
Sentir
só d` amor calor
Sem
haver dor ao redor
Viver só
puro prazer
Não
sabermos bem amar
Nem
sabermos bem-fazer
É o amor
aviltar
No
sentir do sentimento
Ninguém
se pode enganar
É puro
conhecimento
(Decassílabo)
A todos
nós nos é dado saber
E sentir
aquilo que é amor
Porque é
o contrário da dor
E parte
vital do nosso viver
Melhor seria,
sim, ninguém sofrer
Sempre
sentir, do amor, o calor
Sem que
houvera dor ao seu redor
Viver
apenas de puro prazer
Muito poucos,
porém, sabem amar
E só porque
não sabem bem-fazer
Acabam por
o amor aviltar
Sofrer na
pele e ter sentimento
É, sem
ninguém se poder enganar
A melhor
fonte de conhecimento
domingo, 10 de dezembro de 2017
Fado do mal amado
(Do meu baú de recordações)
Nunca
houve outro amor assim
Uma tão
cruel paixão entontece
Entrega
tão pura ninguém merece
Nem se a
mulher for um querubim
Agora
choro lágrimas sem fim
Meu
pranto ao longe se esmorece
Como uma
mal sucedida prece
Que
amargamente se vai de mim
A fada
cruel quebrou o encanto
Para
sempre seu coração calou
Esta é a
razão deste meu pranto
Mas a vil
paixão de mim não voou
Por isso
canto este triste canto
O fado
amargo que me tocou
Chaves, 8
de Março de 1966
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Fogo-de-artifício nuclear
Andam agora os homens a forrar o céu
com aviões
satélites
luzes de néon
rastos de luz e de fumo
Presumo que pretendem tapar o Sol com uma peneira
apagar as estrelas
soprar as nuvens
e aprisionar cometas
Já os políticos histriónicos
se julgam donos do Sistema Solar
como se as estrelas estevessem ali
à sua mão de semear
Queira Deus que tudo não termine num sopro de ferro incandesce
num monumental fogo-de-artifício nuclear
tendo como música de fundo um acordeão atómico
coro de demónios a bailar
Oh, tanta mente demente!
Que sacrifícios agónicos iremos nós penar?
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Com amor, barro e poesia
Com barro bruto, o Criador, criou o homem
Soprando-lhe amor sagrado e poesia
Para divina recreação e alegria
Esquecendo as dores que os mortais consomem
Porém, tais graças com a poesia eclodem
Que o barro tosco que Deus soprou, ganhou vida
Animou Adão e fez Eva apetecida
Dos supremos deleites que na Terra ocorrem
Ao barro, porém, nosso corpo retornará
Finando-se dores e prazeres com a morte
Só a mais pura poesia se salvará
Para se livrar da matéria e má sorte
O homem, com poesia, a Deus louvará
Amando Eva, como Ele manda, sua consorte
Vale de Salgueiro, 17 de Abril de 2008
Henrique António Pedro
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