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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Para mais e melhor amar, reclamo a eternidade

 


VIII

Para mais e melhor amar, reclamo a eternidade

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Para bem viver

radiante

e com verdade

requeiro momentos de prazer

poesia

e muita alegria

 

Para sofrer

e morrer

basta-me um só instante

 

Já para mais e melhor amar

e a felicidade alcançar

reclamo a eternidade

Henrique António Pedro

terça-feira, 19 de maio de 2026

Sempre que Deus trabalha fora de horas

 


VII

Sempre que Deus trabalha fora de horas

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Sinto

por vezes

que Deus trabalha fora de horas

a reescrever o poema da Criação

à luz das velas

que são as estrelas

 

E pressinto

que assim

se reflecte em mim

a divina meditação

 

A noite mergulha no mais puro silêncio

numa absoluta quietude

de feérica beleza

um manto de virtude

intemporal

estende-se sobre a Natureza

e o Firmamento ilumina-se

de um brilho sobrenatural

 

Pela janela do Cosmos

que o Criador deixa entreaberta

entra o vento do sofrimento

da Humanidade

convertido em oração

que faz as estrelas

bruxulear

 

É a hora do poeta

despertar

 

Toma-se-me o coração

da mais doce soledade

e o meu espírito voa no Universo

 

Acrescento mais um verso

ao poema da Criação

 

Henrique António Pedro

segunda-feira, 18 de maio de 2026

É na escuridão mais escura que a alma mais luz

 


VI

É na escuridão mais escura que a alma mais luz

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Abro o livro

e leio

o meu espírito espevita

 

Ouço a voz seca

de Séneca

que em seu douto pensamento

há séculos

ao vento

grita:

 

“Deixarás de ter medo quando deixares de ter esperança.”

 

É a mim que me ouço

feito criança

em desassossego

 

À luz do dia

tomado pelo instinto

tinto de emoção e ilusão

deixo de me ver

e de me ouvir

 

À luz do dia

de ambição imbuído

a ideia é ruído

 

No escuro

melhor me oiço e me vejo

sei o que procuro

e o que desejo

 

No escuro mais medo sinto

mais a mente anseia

a esperança renasce

o silêncio é ideia

divino enlace

 

Abro o livro

leio

e releio “A Noite Obscura”

de João da Cruz

 

É na escuridão mais escura

que a alma mais luz

 

Henrique António Pedro

sábado, 16 de maio de 2026

Éter e eternidade

 


IV

Éter e eternidade

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Nem sempre só

e em silêncio

me sinto em solidão

 

Ruídos remanescentes

impedem-me de acordar

do vivo torpor

que é a vida

 

Os afectos que me ligam ao mundo

impedem-me de mergulhar

mais fundo

 

Ainda assim, no silêncio

melhor ouço o coração respirar

e o espírito mais livre a arfar

de amor

 

Mas só no silêncio

e na solidão

conheço o sucesso

e tenho acesso

ao meu ser

 

Só em silêncio

e na solidão

navego no éter

rumo a eternidade


Henrique António Pedro

Lugares recônditos da minha alma

                                                                               


  

                                                                                III

Lugares recônditos da minha alma

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Há lugares

recônditos

na minha alma

aonde

eu próprio

raras vezes vou

 

Apenas assediado

por algum evento inusitado

 

São aposentos reservados

onde não sopram os ventos

nem se faz sentir a fúria do mar

ou a tempestade do viver comum

 

Ali me refugio

me protejo

e me liberto

em ambiente de espiritualidade

 

Tranco portas e janelas

tapo os ouvidos aos ruídos da rua

apenas deixo acesa uma luz

doce como a da Lua

e por ali fico na obscuridade

de alma distendida

até me acalmar

 

Só depois desperto

e retorno à vida

 

Henrique António Pedro

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O nosso fim é ser anjos

 


II

O nosso fim é ser anjos

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

O nosso fim é ser anjos

libertarmo-nos do peso do corpo

e ganhar asas

para podermos voar

 

À custa de sofrer

e de amar

e disso tomar consciência

pela ciência

e pelo saber

pelo sopro de Deus

que é o amor

 

É este o sentido da dor

da verdade

antíteses do prazer

e da vaidade

 

A razão de ser de nascer

viver

e morrer

 

Henrique António Pedro