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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Labaredas de lembranças


Fito a lareira bruxuleante

com o coração ao fogo exposto

as labaredas lambem-me o rosto

com seu morno calor

 

São raízes que ardem

e me aquecem sem me queimar

lembranças de amantes

que me enlaçam

inebriantes

e uma após outra me vêm

beijar

 

São labaredas de lembranças

quimeras de amor

que aparecem

e me aquecem

mas logo se esquecem

fugaz fulgor

 

Estendo-lhes a mão por elas iluminada

ainda assim

sem dilema

para as acariciar

 

Guardo para mim este poema

cinza tépida

prateada pela recordação

que de pronto sopro

do coração

 

Vale de Salgueiro, Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Henrique António Pedro

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