Fecho os olhos
para melhor a ver
com as minhas próprias
mãos
Guardo no cérebro o
seu olhar sedutor
e para melhor a perceber
também abro olhos em
cada dedo das mãos
em cada poro da pele
Os meus ouvidos
ouvem tudo o que tem para me dizer
diga-o ou não
mesmo quando em
silêncio
se entrega à devassa
dos meus braços
ao esquadrinhar dos
meus dedos
Ademais o seu corpo
ganha fluorescência de tanto prazer
acaba por iluminar o
meu
e flutuar no céu
Até nada mais haver para
ver
ouvir
dizer
apenas e só
sentir
Senti-la
eu
a ela
sentir-me
ela
a mim
De nada serve a luz
do dia quando nos amamos à noite
na doce obscuridade
da mais estreme intimidade
e em silêncio
com esfuziante
alegria interior
fora do tempo
Em transe de êxtase
Em arrebatamento de
amor
Vale de Salgueiro, sexta-feira,
12 de Fevereiro de 2010
Henrique António Pedro





