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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Uma doce, terna e triste alegria


in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)

 

Nunca se faz silêncio

dentro de mim

 

Acontece

por vezes

ser tão estridente o ruído interior

que o mundo exterior se silencia

ainda assim

 

Ou talvez seja eu que deixo de ouvi-lo

por mais que ele continue a invetivar-me

a chamar-me à luta

à disputa de troféus que não me interessam

e que jamais serão meus

 

Os ruídos fragorosos desta minha batalha

começam na surdina do passado

e ecoam

ribombando

futuro adentro

no mais estreme silêncio

 

Embala-me a terra

na ausência de minha mãe

 

Amparo-me às árvores que meu pai plantou

agora que partiu

 

E aqueço-me à lareira da poesia

na qual a minha alma eterna arde

em doce, terna e triste alegria

acesa de saudade

 

Vale de Salgueiro, sábado, 28 de Janeiro de 2012

Henrique António Pedro

 

 

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