Não tapem os buracos
da minha rua
que eu quero ver
neles reflectidos
o Céu
o Sol
as Estrelas
e a Lua
sempre que chover
Quero ver as nuvens
a passar
empurradas pelo
vento
e viajar com elas
em pensamento
Que eu quero ver da
minha janela
por detrás da
vidraça
os salta-pocinhas
videirinhos
os pisa flores
a saltar de pedra em
pedra
tão cheios de graça
e cautela
que acabam por pisar
na merda
Quero ver as damas
emproadas
vaidosas de tanto
asseio
a pavonear-se no
passeio
ciosas da sua fama
serem salpicadas de
lama
se algum carro passar
a alta velocidade
sem lhes ligar
Que eu quero poder
manter
a irreverência de
criança
e sorrir
com a esperança
de que a Humanidade
acabará por banir
a hipocrisia
e governar-se pela Verdade
Quero eu poder viver
a vida
com poesia
sem forçar o destino
e tornar a ser
menino
sempre que me
aprouver
Vale de Salgueiro, domingo,
14 de Março de 2010
Henrique António Pedro




